Blalock-Taussig clássico vs. modificado: indicações, vantagens e desvantagens

Atualizado: Mar 15


Imagens didáticas mostrando a anatomia normal, o shunt Blalock-Taussig clássico e o shunt Blalock-Taussig modificado.

O autor dos desenhos é o Cirurgião Cardiovascular Pediátrico Mansur Chaer Alameddin, atuante no Rio de Janeiro.

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O tratamento cirúrgico paliativo da tetralogia de Fallot foi idealizado e realizado por Blalock e Taussig em 1945. O objetivo era simples: proporcionar aumento de fluxo sanguíneo pulmonar pela anastomose término-lateral entre a artéria subclávia direita e a artéria pulmonar direita.

Como discutimos no post "Shunt sistêmico-pulmonar: 04 conceitos básicos" (clique aqui), a idéia central do Blalock-Taussig é paliar cardiopatias congênitas cianogêticas com hipofluxo pulmonar. Outras indicações são:

  • Opção estratégica de manutenção do fluxo pulmonar na primeira etapa do procedimento de Norwood;

  • Estimular o crescimento das artérias pulmonares quando hipoplásicas;

  • Coronária aberrante (descendente anterior) que atravessa a via de saída do ventrículo direito (VD) no paciente com tetralogia de Fallot (incidência de 5%).

  • Nesses casos é muito difícil realizar a ampliação da via de saída do ventrículo direito, de forma que uma estratégia plausível é realizar um shunt sistêmico-pulmonar.

Observem que em todas as indicações acima o objetivo central (direto ou indireto) do shunt é aumentar o fluxo sanguíneo pulmonar.

Com o tempo, alguns cirurgiões passaram a modificar o "Blalock clássico" por meio do uso de tubos sintéticos (PTFE, por exemplo) para realização do procedimento. Esse avanço técnico trás uma série de vantagens, motivo pelo qual o Blalock-Taussig modificado se tornou rotineiro na maioria dos serviços.

Seguem abaixo as principais vantagens e desvantagens de cada técnica:

1. Blalock-Taussig clássico:

Anastomose término-lateral entre a artéria subclávia direita e a artéria pulmonar direita.

  • Vantagens:

  • Acompanha o crescimento dos vasos;

  • Pode ser feito extra pericárdio;

  • Raro ocorrer hiperfluxo pulmonar.

  • Desvantagens:

  • Maior taxa de distorção da artéria pulmonar. Isso pode ocorrer especialmente em casos onde há dificuldade de mobilização da artéria subclávia, particularmente quando é muito curta, o que pode ocasionar distorção dos vasos pulmonares;

  • Raro, mas pode ocorrer ocorrer isquemia e/ou retardo de crescimento do membro superior ipsilateral;

  • Maior risco de trombose, especialmente quando o calibre da subclávia é pequeno.

2. Blalock-Taussig modificado

Vídeo mostrando o aspecto cirúrgico do shunt Blalock-Taussig modificado (uso de tubo de PTFE)

Fonte: Própria.

  • Vantagens:

  • Permite maior desenvolvimento da circulação arterial pulmonar perante o maior fluxo;

  • Menor risco de distorção das artérias pulmonares;

  • Excelente patência (90% em 02 anos);

  • Facilidade técnica;

  • Menor área de dissecção;

  • Mantém a integridade da artéria subclávia, preservando fluxo para o membro;

  • Devantagens

  • ​Relatos de seroma (exsudato proveniente do PTFE);

  • Ocorrência de pseudoaneurisma;

  • A técnica exige um comprimento exato do tubo de PTFE - quando muito longo pode gerar distorções do tubo e/ou vaso pulmonar.

Referências:

1. Kiran U, Aggarwal S, Choudhary A, Uma B, Kapoor PM. The blalock and taussig shunt revisited. Ann Card Anaesth. 2017;20(3):323–330. doi:10.4103/aca.ACA_80_17

2 Croti UA, Mattos SS, Pinto Jr. VC,Aiello VD, Moreira VM. Cardiologia e cirurgia cardiovascular pediátrica. 2a ed. São Paulo:Roca;2012.


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