Fibrilação atrial no pós-operatório de cirurgia cardíaca: incidência e impacto econômico


Fibrilação atrial durante uma cirurgia de revascularização do miocárdio. Arritmia muito frequente no pós-operatório.

Fonte: Própria.

A fibrilação atrial (FA) é a arritmia mais comum no pós-operatório de cirurgia cardíaca, possuindo uma taxa de incidência entre 10% e 65%. Essa variação pode estar associada aos diferentes métodos (definição, coorte do estudo, meio diagnóstico) adotados nos trabalhos.

O problema da FA no pós-operatório de cirurgia cardíaca (FAPO) está associado não apenas à morbidade gerada pela patologia, mas também aos custos inerentes ao seu tratamento. Um estudo recente (publicado em 2019 por Hernández-Leiva E, et al.) sobre o impacto dos custos da fibrilação atrial após cirurgia cardíaca na América Latina, calculou um aumento do custo total hospitalar de aproximadamente US$ 2.000 por paciente. Apesar dessa quantia ser relativamente menor quando comparada a estudos europeus e americanos, para nossa região, que possui recursos escassos, é uma quantia expressiva.

Mas o que poderíamos fazer para minimizar a incidência de FAPO e, consequentemente, reduzir os custos?

O beta-bloqueador é a medicação de escolha (classe I) para prevenção de FAPO e, sempre que possível, deve ser prescrita no pré-operatório. Entretanto, uma grande parcela dos pacientes que serão submetidos à cirurgia cardíaca não fazem uso de nenhum beta-bloqueador. Hernández-Leiva E, et al. relata que até 40% dos pacientes encaminhados para cirurgia cardíaca não recebe esse medicamento! Por se tratar de um banco de dados de um serviço Latino Americano, possuidor de condições econômicas e socias parecidas com a nossa, provavelmente os pacientes brasileiros devem ter proporções parecidas no que diz respeito à deficiência na prevenção de FA relacionada à cirurgia cardíaca. Quem nunca avaliou no ambulatório ou internou um paciente para cirurgia que tinha indicação de Beta-bloqueador, mas não fazia uso?

Take-home messages:

  • A FAPO tem uma taxa de incidência elevada (até 65%);

  • O impacto econômico da FAPO é alto (2 mil dólares a mais por paciente);

  • O beta-bloqueador, sempre que possível, deve ser prescrito para prevenção de FAPO.

Assista abaixo nosso vídeo "Fibrilação atrial no pós-operatório de cirurgia cardíaca: incidência e impacto econômico".

Nesse vídeo, basicamente, irei responder as seguintes questões:

1) Qual a incidência de fibrilação atrial no pós-operatório (FAPO) de cirurgia cardíaca?

2) Qual é o impacto econômico da FAPO?

3) Qual droga deve ser otimizada para minimizar a sua incidência?

Referência:

1) Hernández-Leiva, Edgar, Alvarado, Paula, & Dennis, Rodolfo José. (2019). Postoperative Atrial Fibrillation: Evaluation of its Economic Impact on the Costs of Cardiac Surgery. Brazilian Journal of Cardiovascular Surgery, 34(2), 179-186. https://dx.doi.org/10.21470/1678-9741-2018-0218

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