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Certificação TAVI SBCCV/SBHCI: o que você precisa fazer para se habilitar.


Nesse texto, caro leitor, vou comentar objetivamente quais são os critérios e itens necessários para realizar a SOLICITAÇÃO PARA EMISSÃO DE CERTIFICADO TAVI.


Recentemente, recebi uma notícia gratificante: finalmente fui certificado, algo que tenho estudado e investindo tempo e conhecimento há anos. E aqui faço um agradecimento ao professor Kleberth Tenório, cirurgião cardiovascular certificado e “amigo mentor”, que me ajudou no processo.


Às vezes, não temos a mesma oportunidade de ter alguém próximo, com mais experiência, para direcionar o processo. E, nesta postagem, pretendo mostrar como foi a trajetória para completar cada item, que talvez possa te ajudar, caro amigo cirurgião ou hemodinamicista, a realizar a certificação. De antemão: mesmo com o suporte de amigos, não foi tão simples. E aqui pretendo comentar os acertos e dificuldades.


Assim sendo, vamos seguir a seguinte didática:

  • vou mencionar o item exatamente como está no documento da SBCCV/SBHCI, que você pode baixar no site da SBCCV (vou deixar um link no final da postagem para baixar) e dizer como foi o meu processo para adquiri-lo.


No total, são 7 ÍTENS:


1. Título registrado pelo Conselho Regional de Medicina

Título registrado pelo Conselho Regional de Medicina em Cirurgia Cardiovascular ou Hemodinâmica e Cardiologia Intervencionista, ou seja, apresentar RQE da especialidade ou área de atuação (obtidos através de Residência Médica reconhecida pela Comissão Nacional de Residência Médica (CNRM/MEC) e/ou especialização reconhecida por meio das Sociedades de Especialidades /AMB).


  • Esse item é o básico, né, galera? É ser cirurgião cardiovascular ou hemodinamicista. É uma área compartilhada entre duas especialidades, e veremos que isso muda alguns critérios adiante para o cirurgião versus o hemodinamicista.


2. Sessões teóricas didáticas

Documentos comprovando sessões teóricas didáticas, com carga horária mínima de 24 (vinte e quatro) horas, em cursos ministrados ou reconhecidos pela SBCCV e pela SBHCI;


  • Aqui, você vai precisar demonstrar o básico de conhecimento teórico no assunto. Mas não basta ir a qualquer curso ou congresso.

  • Antes de, de fato, começar o processo de certificação, eu havia frequentado o curso de transcateter do professor Diego Gaia (excelente curso presencial, com estrutura teórica e prática), mas que não tinha o selo das sociedades, como o da imagem acima.

  • Dessa forma, você precisa estudar por meio de conteúdos direcionados pelas sociedades, havendo esse “selo de garantia”.

Notem que o certificado possui, no canto inferior,  esse selo vermelho, referente à chancela TAVI das sociedades, o que garante que a carga horária teórica e prática realizada será computada para o processo de certificação.
Notem que o certificado possui, no canto inferior, esse selo vermelho, referente à chancela TAVI das sociedades, o que garante que a carga horária teórica e prática realizada será computada para o processo de certificação.
E aqui vai uma dica: reúna todos os documentos em uma única pasta para facilitar a organização posterior dos certificados e o envio da documentação. Particularmente, uso o Google Drive.
E aqui vai uma dica: reúna todos os documentos em uma única pasta para facilitar a organização posterior dos certificados e o envio da documentação. Particularmente, uso o Google Drive.

3. Treinamento em simuladores

Documentos comprovando sessões de treinamento em simuladores, com carga horária mínima de 2 (duas) horas;

  • Esse item, por sua vez, é uma exigência de treinamento prático simulado.

  • Para isso, tente, sempre que possível, realizar essa parte prática em cursos e eventos também certificados pela SBCCV/SBHCI.

Aqui está o certificado de um dos melhores eventos de que já participei, o TVI. No curso pré-congresso, houve uma excelente atividade prática em simuladores, com participação das principais empresas e próteses da área, totalizando, conforme consta no certificado, 4h30 de treinamento prático. Notem também o selo de chancela TAVI das sociedades, fundamental para que essa carga horária seja considerada no processo de certificação.
Aqui está o certificado de um dos melhores eventos de que já participei, o TVI. No curso pré-congresso, houve uma excelente atividade prática em simuladores, com participação das principais empresas e próteses da área, totalizando, conforme consta no certificado, 4h30 de treinamento prático. Notem também o selo de chancela TAVI das sociedades, fundamental para que essa carga horária seja considerada no processo de certificação.

4. Participação como observador em procedimentos de TAVI

Carta do coordenador do Centro atestando participação, como observador, em no mínimo 2 (dois) procedimentos de TAVI em Centros de Treinamento TAVI credenciados pelas Sociedades ou em Centros Assistenciais brasileiros que contribuam regularmente para o Registro Brasileiro de Implante por Cateter de Bioprótese Valvar Aórtica ou em casos ao vivo de curso chancelado pelas duas Sociedades.

  • Notem aqui que essa carta pode ser tanto de um estágio observacional em centro credenciado quanto de casos ao vivo de curso chancelado pelas duas sociedades, com aquele selo que mostramos antes nos certificados .

  • Uma coisa muito boa (na verdade, excelente) nos eventos transcateter, como TVI, LATAM Valve, PCR etc., é que há muitos casos ao vivo.

  • É muito massa poder pegar vários aspectos práticos e acompanhar a discussão com os melhores da área em tempo real, com o caso acontecendo e a discussão rolando, incluindo cirurgiões, hemodinamicistas, ecocardiografistas, etc. É um aprendizado sem igual, especialmente quando você já tem uma bagagem no assunto e tem poder crítico sobre as condutas, decisões e desfechos dos casos.

  • Portanto, busque um estágio em algum centro com volume em TAVI ou frequente os eventos certificados.


5. Participação em discussões de casos clínicos

Carta do coordenador do Centro atestando participação em discussões de casos clínicos relativos a procedimentos de TAVI, com carga horária mínima de 4 (quatro) horas, em Centros de Treinamento credenciados pelas Sociedades, atestada pelo coordenador do Centro;

  • Busque um estágio ou curso preparatório para TAVI em um bom centro.

  • Exemplo: De cabeça e sem medo de errar, indicaria o curso do professor Eduardo Saadi, em Porto Alegre. O Kleberth Tenório, meu parceiro de equipe, e outros amigos, fizeram o curso e só teceu elogios. Além da imensa grade teórica e das discussões de casos relativos a TAVI, há também sessões práticas. Vale a pena se você quer desenvolver e aprofundar habilidades transcateter e ter discussões de alto nível.


6. Procedimentos realizados como primeiro operador

Documento comprovando os procedimentos realizados como primeiro operador, sob a supervisão de especialista habilitado pela SBCCV e pela SBHCI (“Proctor”) — casos registrados no RIBAC: (“a” ou “b”)

a. Via Transfemoral:

  1. cardiologista intervencionista: experiência acumulada de um total de 5 (cinco) procedimentos realizados nos 2 (dois) últimos anos;

  2. cirurgião cardiovascular: experiência acumulada de um total de 10 (dez) procedimentos realizados nos 2 (dois) últimos anos; ou 5 (cinco) procedimentos realizados nos 2 (dois) últimos anos se comprovar o treinamento de 1 (ano) adicional em terapias endovasculares em centros oficiais da SBCCV e/ou da CNRM;

b. Acessos alternativos (transapical e transaórtico): o cirurgião cardiovascular deve ser o primeiro operador: requerida realização de no mínimo 5 (cinco) procedimentos por via de acesso;

  • Galera, aqui notem que temos critérios distintos se você é cirurgião ou hemodinamicista. Como cirurgião, segui, obviamente, o critério da minha especialidade.

  • Notem que devemos ter 5 ou 10 procedimentos de TAVI necessariamente por via TRANSFEMORAL.

  • Esqueça a transapical, pois é muito pouco utilizada hoje em dia, o que daria uma dificuldade enorme para preencher esse critério, especialmente se você trabalha em centros de menor volume.

  • Quanto ao treinamento de 1 ano, se você fez, ótimo: serão necessários apenas 5 casos.

    • Exemplo: meu amigo cirurgião, professor Ciro Reis, fez fellow com o professor Honório, em São Paulo. Já eu, não. Então, ele precisaria de 5 casos, enquanto eu precisei de 10 casos, com a nuance de o colega que te ajuda ser Proctor, como professora Magali, Rodrigo Saadi, Alexandre Magno, Paulo Prates etc.


Outro detalhe: registro dos casos no RIBAC-NT.


  • RIBAC é a sigla para Registro Brasileiro de Implante de Bioprótese Aórtica por Cateter e Novas Tecnologias. É a base de dados em que a SBHCI monitora os procedimentos de TAVI.


Aqui, faça duas coisas:

  • Colete todos os dados dos doentes

    • É fundamental que, ao coletar esses casos, você já colete os dados dos pacientes. E são muitos: vão desde dados pré-procedimento relacionados a comorbidades, exames, TC protocolo TAVI, até dados após o procedimento.

    • Não cometa o mesmo erro que eu. Nos primeiros casos, deixei para coletar depois, e deu muito trabalho para recolher todas as informações depois. Dessa forma: fez o procedimento, pega o prontuário do doente, o report da AngioTc protocolo TAVI com as medidas e a descrição cirúrgica, e já preencha a planilha.

    • Abaixo, segue uma planilha disponibilizada pela SBHCI para ajudar na coleta dos dados.

  • Acesso ao sistema/site do RIBAC

    • Para isso, o próprio site da SBHCI sugere que você envie sua solicitação para coordenacaoregistros@sbhci.org.br, aos cuidados de Sandra Baradel, secretária da sociedade.

    • Se tiver dificuldade, fale com a nossa sociedade.

    • A própria Sandra (muito gente boa, inclusive) envia um manual para você aprender a preencher os dados. É chato pra caramba, pois você tem que aprender todo o processo do registro.


7. Carta do especialista supervisor

Carta do especialista supervisor habilitado pela SBCCV e pela SBHCI (proctor) atestando a proficiência e a autonomia do candidato.


  • Aqui, mais uma carta.

  • O que sugiro é ter um mentor nessa área e para esse processo. No meu caso, foram vários professores que nos ajudaram em diferentes momentos, mas dois se destacaram, e foi através deles que solicitei essa documentação.


Em suma:

  • Dedique tempo à área: faça cursos teóricos e práticos em eventos certificados.

  • Obtenha estágio teórico e prático.

  • Realize casos e colete os dados.

  • Preencha os casos no Registro (RIBAC).

  • Solicite cartas aos seus mentores.

  • Após fazer tudo isso, envie toda a documentação para Sandra e Meryt, secretárias das sociedades, por e-mail.


Se ficou em dúvida sobre qualquer etapa do processo (e sempre há pequenos detalhes), deixo alguns links e documentos abaixo para leitura. Ou, se preferir, você pode ligar para as sociedades e tirar suas dúvidas.



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