Sangramento e parâmetros laboratoriais alterados, o que fazer?



O cirurgião cardiovascular pode ser comparado com um encanador. Trabalhamos basicamente com "tubos” (vasos sanguíneos) e "conexões” (anastomoses). Por isso uma das possíveis complicações na pratica do cirurgião cardíaco é a ocorrência de "vazamentos” (sangramento), sendo necessário, em alguns casos, a reabordagem devido a sangramento mediastinal aumentado. Existem 2 motivos para o aumento do sangramento. O primeiro é devido a falha em alguma anastomose (cirúrgico) o segundo é devido a alterações sanguíneas (clínico). Nesse post abordaremos, resumidamente, um pouco da alteração laboratorial e o que pode ser feito para sua correção.


-Tempo de protrombina (PT) alterado: avalia a cascata extrínseca de coagulação, quando paciente apresenta INR alterado, podemos utilizar do plasma para a correção. Lembrando que uma alteração de até 30% muitas vezes não está relacionado com sangramento.


-Tempo de Tromboplastina Parcial (TTP) alterado: avalia a cascata intrínseca de coagulação, e também pode ser alterada pelo efeito residual da heparina. Quando TTP alterado isoladamente ou junto com um ligeiro aumento do INR, podemos utilizar da protamina para sua correção, antes de realizarmos protamina o ideal seria realizar um TCA antes, visto que as vezes o excesso de protamina na reversão da heparina também pode levar à mesma alteração laboratorial.


-Contagem de Plaquetas alterada: sabe-se que a circulação extracorpórea pode levar a uma redução de 3-50% da quantidade de plaquetas. Transfusão de plaquetas é indicado para pacientes sangrantes com contagem menor do que 100.000/ml. Em alguns casos a quantidade está adequada porém a qualidade está prejudicada (devido a uso de anti-agregantes plaquetários).


-Fibrinogenio (fator I) alterado: O fibrinogênio cria uma rede que permite a interação plaqueta-plaqueta, ou seja, serve como substrato para a adesão plaquetária. Em paciente sangrantes com os níveis de fibrinogênio <100mg/dL, pode-se utilizar de criopreciptados, que é rico em fatores I, VIII e XIII. Outro medicamento que podemos utilizar é o Haemocomplettan.




REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA

  1. Manual of Perioperative Care in Adult Cardiac Surgery; Quinta edição; Robert M. Bojar; pág. 357-363.

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